Comemorações

Aniversário Maria Luiza 5 anos - 11.10.2025

Há lugares onde a infância se inventa sozinha.
Ela nasce no fôlego curto depois da corrida,
no joelho ralado que arde e logo esquece,
no cabelo úmido de riso e mangueira,
na roupa que guarda, em poeira e manchas,
a prova de que ser feliz também suja.

A beleza mora no simples.
Na mesa que se arruma como dá,
no chão que vira sala de festa,
no bolo que não pediu permissão para crescer —
apenas cresceu, cheio de carinho.

Porque não são as grandes produções que eternizam a memória.
O que permanece é aquilo que não foi ensaiado:
o abraço antes da pose,
o sorriso que escapa,
a alegria que não cabe no corpo e escorre em risada.

As crianças sabem — e ensinam sem esforço —
que celebrar é transformar qualquer canto em encantamento,
é voar mais alto a cada empurrão na brincadeira,
é esticar o dia só para não deixar a festa terminar.

É nesse instante, entre um suspiro e outro,
que a fotografia entende seu propósito:
guardar o que é de verdade,
o que nasceu do afeto e não do roteiro.

Porque a festa que vale a pena
não termina quando as luzes se apagam.
Ela fica presa no cheiro de bolo que dorme na casa,
na roupa amassada esquecida no canto,
no coração que volta, sempre que quiser, para aquele dia.